sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Lago.


Desviei o olhar do horizonte. Ajeitei meus óculos. Pus a mente de volta ao foco de antes. O lago. Belo lago, pensara. Entretanto, tenho de estar pronto às seis horas e ouvi o sino da igreja badalar cinco vezes já faz algum tempo. Fico imaginando como é sentir a água do lago tocar o meu corpo porém, simultaneamente, continuo a me lembrar de meus compromissos. Tão chatos esses compromissos... Ou será apenas preguiça? De qualquer forma, molhar as minhas roupas estava fora de cogitação.

Ah, mas deve ser tão bom sentir a água no corpo. A temperatura, as extremidades a enrugar com a umidade tomando conta do meu ser. Mergulhar-me de cabeça no universo belo dos seres dançantes que ali vivem. No fim, passo o dia e a noite imerso em pensamentos de como seria deixar tudo para trás e mergulhar. Mas acabei ficando aqui. Preso.
Entre as minhas duas realidades. Nada fiz. Não havia feito o que tinha de fazer, nem o que queria de verdade. Uma coisa prendendo a outra.

E fiquei ali. Os anos passaram. O lago secou e já não tenho mais compromissos. Não tenho mais sonhos, não tenho ofício, não mais me tenho.

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